Mecanismo indígena Vítuke

Recursos diretos para os indígenas de todos os biomas brasileiros.

Floresta Viva

Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras

FINACLIMA-SP

Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista

AMAZÔNIA VIVA

Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Fundo Kayapó

Mecanismo indígena que tem como missão apoiar o povo indígena Mebêngôkre-Kayapó

ARPA

O maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta

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Postado dia 22 maio 2026

Fórum de Biodiversidade discute conservação de biomas negligenciados em edição especial dia 22 de maio

Texto: CNC Flora/JBRJ O Museu do Jardim Botânico recebe uma edição especial do Fórum de Biodiversidade dedicada ao lançamento do documentário “Expedições Científicas do CNCFlora: Biomas Negligenciados – Caatinga, Pampa e Pantanal”, na sexta-feira (22/5) às 14h. O encontro presencial, que reunirá pesquisadores, gestores ambientais e especialistas que atuam diretamente na conservação da flora brasileira, será somente para convidados, mas terá transmissão ao vivo pelo canal do Jardim Botânico do Rio de Janeiro no YouTube para o público geral. Com cerca de uma hora de duração, o documentário foi produzido no âmbito do Projeto GEF Terrestre e acompanha expedições científicas conduzidas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora/JBRJ) em regiões consideradas estratégicas para a conservação da biodiversidade brasileira. A obra revela os bastidores do trabalho de campo realizado nos biomas Caatinga, Pampa e Pantanal, destacando sua riqueza biológica, os desafios enfrentados pelas equipes em campo e as ameaças crescentes à flora nativa. Ao longo do filme, o público poderá conhecer como os levantamentos científicos realizados nessas expedições contribuem para o processo nacional de avaliação do risco de extinção de espécies da flora brasileira, além de subsidiar políticas públicas de conservação, ações de restauração ecológica, fortalecimento de corredores ambientais e proteção de habitats ameaçados. Após a exibição, será realizada uma roda de conversa com convidados que participaram diretamente das ações de pesquisa e conservação nos territórios retratados no documentário. O debate abordará os desafios da conservação em biomas historicamente menos visibilizados, a importância da ciência para a preservação ambiental e o papel das unidades de conservação na proteção da biodiversidade brasileira. Participam da roda de conversa Gustavo Martinelli, diretor do Centro Nacional de Conservação da Flora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro; Gustavo Heiden, pesquisador da Embrapa Clima Temperado; Jackeline Moreira, gestora do Parque Natural Municipal da Pedra do Segredo (Caçapava do Sul-RS); Marian Rodrigues, chefe do Parque Nacional da Serra da Capivara (ICMBio); José Ribeiro, chefe do Parque Nacional da Serra das Confusões (ICMBio); e Sandro Pereira, analista ambiental e chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena (ICMBio). A mediação será conduzida por Eduardo Fernandez, coordenador da COAC/CNCFlora/JBRJ. O evento faz parte da Semana Nacional da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - MMA. Acesse a programação completa da Semana. O Fórum de Biodiversidade é coordenado por um conselho de especialistas do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e promove o debate sobre conservação da biodiversidade e temas ambientais essenciais. Fórum de Biodiversidade: GEF Terrestre - Biomas negligenciados (Caatinga, Pampa e Pantanal) Data: 22/5 (sexta-feira) Horário: das 14h às 17h. On-line | Transmissão gratuita pelo canal do JBRJ no YouTube: www.youtube.com/JardimBotanicodoRiodeJaneiro

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Postado dia 15 maio 2026

When science listens to the land

Field research supported by the GEF is revealing how locally grounded knowledge can help safeguard Brazil’s biodiversity. How do you protect the biodiversity of a country that contains some of the largest tropical forests on Earth, thousands of endemic species, and extraordinary cultural diversity? One path forward comes from the GEF’s Fonseca Leadership Program which, in partnership with FUNBIO - the Brazilian Biodiversity Fund - supports fieldwork led by young scientists. Their research generates knowledge with the potential to strengthen conservation efforts and inform public policy. To date, 251 research projects have been supported across Brazil. These studies will make it possible, for example, to trace the origins of trafficked wildlife - including rare and threatened species such as the Lear’s macaw, coveted for its strikingly blue feathers - and to understand the impact of exotic primates on the Atlantic Forest, one of the most biodiverse biomes on the planet and home to more than 20,000 plant species. The program has just selected 35 additional projects through the FUNBIO Grants – Conserving the Future initiative. The partnership expands not only the scope of the research but also the development of future environmental leaders. “The Fonseca Program is still young, yet it already brings together a network of more than 240 Fonseca Fellows from 54 countries across every continent (34 of them in Brazil). We are now launching a leadership‑training initiative to prepare these researchers to engage in global conservation policy discussions,” says Dr. Adriana G. Moreira, Head of the GEF Partnerships Division. “We are extremely pleased with the quality of proposals submitted by these young scientists. The record number of applications shows that the program has become a solid and effective mechanism for fostering applied field research in Brazil,” notes Rosa Maria Lemos de Sá, Secretary‑General of FUNBIO and creator of the program. The supported studies highlight how field‑based science can uncover hidden conflicts, strengthen local communities, and offer nature‑based solutions. The three examples below illustrate this impact. BALANCE AT RISK In the Saltinho Biological Reserve in Pernambuco, located in Brazil’s Atlantic Forest, a doctoral research project is tackling a complex challenge: the presence of the squirrel monkey, a small primate native to the Amazon that does not belong to the fauna of this biome, one of the planet’s most biodiverse and most threatened biomes. Local residents and researchers have reported a troubling trend: a forest growing increasingly silent, possibly due to these primates preying on the eggs and chicks of birds. The species was introduced into the region after wildlife‑trafficking seizures. With no natural predators and decades without management interventions, the squirrel monkey population has grown. The research aims to fill a long‑standing gap in data by mapping their distribution and estimating population size, providing a robust scientific basis for future conservation decisions. “My PhD is not about immediately controlling the population of these primates, but about generating the scientific evidence needed so that management can be carried out effectively in the future,” explains Larissa Vaccarini, one of the selected researchers. TRACKING THE EVIDENCE The Caatinga, a semiarid region found only in Brazil and, in this case, located in the state of Bahia, is home to one of the most iconic birds in global conservation: the Lear’s macaw. With its spectacular, intensely blue plumage, the species was named in honor of the English poet and writer Edward Lear, who illustrated it in the 19th century. Endemic to Brazil, the macaw once came close to extinction and has since become an international symbol of successful conservation efforts. Even with its population recovering, the illegal wildlife trade remains a serious threat. To confront it, researchers are turning to a sophisticated tool: the analysis of isotopic signatures found in the birds’ feathers, blood, and claws. These signatures act as “chemical fingerprints,” allowing scientists to pinpoint the animals’ geographic origin and distinguish individuals captured illegally. AMAZONIAN SOCIOBIODIVERSITY In northern Brazil, scientific research is also deeply connected to the daily lives of traditional communities. In the Mocapajuba Marine Extractive Reserve, in the Amazon, one study examines how small-scale fishing, crab harvesting, and the management of açaí, a superfood native to the region that has gained global prominence, shape the local economy. The research explores how these production chains interact with public policies, community‑based governance models, and ecosystem‑conservation strategies. By translating traditional practices into systematized data, the study helps ensure that the Amazonian bioeconomy becomes more than a concept, guiding concrete decisions grounded in the realities of local territories. In a megadiverse country like Brazil, where forests, communities, and species face constant pressure, the science supported by the GEF helps interpret the signals of the present and safeguard the future. Whether the forest grows silent, crime hides in plain sight, or local economies emerge from nature itself, scientific knowledge becomes a central tool for global conservation. The 2025 edition of the FUNBIO Grants– Conserving the Future selected 35 master’s and doctoral projects (including 15 Fonseca Fellows) from a record‑breaking 629 proposals, reflecting the growing interest of young scientists in producing knowledge grounded in real environmental challenges. In total, more than R$ 1.5 million will be invested in research across all Brazilian biomes. The program, which supports field studies carried out directly in the territories where environmental issues unfold, has already backed researchers from 56 academic and scientific institutions in the country. The full list of selected projects is available on FUNBIO’s website.

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Postado dia 5 maio 2026

Ofício das águas

Quando os primeiros raios de sol começam a despontar no horizonte e as cidades ainda dormem, muitos deles já estão de volta com o alimento fresco que vai parar na mesa de tantos brasileiros. Atravessando séculos, gerações e imensos desafios, os pescadores artesanais continuam de pé. E pegando carona no Dia do Trabalhador, o FUNBIO traz as vozes desses guardiões da biodiversidade para homenagear quem nunca desistiu de seu ofício.  “Trabalhar com a pesca artesanal, pra mim, significa continuar uma história, uma tradição, um legado. É manter firmes nossas raízes”, diz Michel Theophilo, presidente da Associação Livre de Pescadores Artesanais de Guia de Pacobaíba (ALPAGP), que fica em Magé, no estado do Rio de Janeiro. Filho, neto, sobrinho e bisneto de pescadores, Michel sabe bem que suas raízes vêm de longe. E são elas que sempre sustentaram seu trabalho, mesmo quando tudo à sua volta parecia dizer que o caminho da pesca era tortuoso.  Fundada no distrito que dá nome à associação, a ALPAGP já tem mais de duas décadas de existência, mas somente agora conseguiu estruturar uma frente de comercialização coletiva. Se antes os associados voltavam das águas e precisavam vender seu pescado a preços irrisórios para os atravessadores, hoje o fruto de seu trabalho vai parar nas escolas e órgãos públicos de várias cidades da região – e a um preço justo.  A mudança veio pela iniciativa Marés de Pacobaíba, apoiada pelo Projeto Educação Ambiental. Com ela, a associação conseguiu finalmente estruturar sua sede, adquirir um barco, freezer, máquina de gelo e outros equipamentos que foram fundamentais para que os pescadores tivessem condições de trabalho dignas no presente – e estabilidade para planejar o futuro. “Tinha gente que nem saía mais para pescar por conta das dificuldades para vender seu peixe. Hoje, há quem queira trabalhar de domingo a domingo”, diz Michel.  Processo semelhante aconteceu na Colônia de Pescadores Z-5, em Arraial do Cabo. Já se passavam mais de 100 anos que a entidade sofria na mão dos atravessadores. Mas agora esse cenário finalmente começa a mudar. Com a iniciativa Nosso peixe, nosso suor, nosso preço, a colônia pôde instalar uma fábrica de gelo e três câmaras frias em pontos estratégicos onde há o desembarque da pesca artesanal no município.  Esses simples investimentos em infraestrutura já fazem toda a diferença no trabalho e na vida dos pescadores. Se antes eles chegavam a gastar R$ 1.200 por mês na compra de gelo a cada vez que saíam para pescar, agora a fábrica garante que esses gastos não ultrapassem os R$ 300. As câmaras frias também têm permitido que os profissionais armazenem seu pescado, driblando os compradores intermediários e possibilitando vendas mais estratégicas e justas.  “Tudo isso deu um novo gás para a gente”, celebra o pescador Evanildo Azeredo Sena, diretor financeiro da Colônia Z-5. Segundo ele, a histórica falta de investimentos no setor da pesca artesanal tem levado muitos companheiros a desistirem do ofício. Mas mesmo diante de tantas dificuldades, Evanildo sempre deu um jeito de se manter firme no propósito. “O trabalho com a pesca para mim é tudo. Eu sinto como se o mar fosse parte de mim”, diz.  Não é acaso, portanto, que os pescadores artesanais sejam reconhecidos como antigos guardiões da biodiversidade marinha. “A pesca artesanal demanda um conhecimento profundo do mar, do clima, da biologia das espécies. É um trabalho de extrema dignidade e beleza. A gente deve respeitar muito esses profissionais”, defende a agrônoma Eliana Leite, assessora técnica da iniciativa Maré de União, que fez nascer a Associação de Pescadores e Pescadoras Artesanais da Reserva Extrativista de Itaipu e Lagoa de Itaipu (Appreili). Situada dentro de uma Reserva Extrativista (Resex) Marinha em Niterói, a Appreili chegou ao mundo justamente para fortalecer os trabalhadores da pesca artesanal na região. E sua fundação veio acompanhada da aquisição de vários equipamentos importantes de uso coletivo, como freezer, balança, seladora a vácuo, entre outros. Os investimentos deram um novo vigor à população local: “Foi uma revolução. Reorganizamos a comunidade, começamos a fazer a feira do pescado e a nossa autoestima voltou: todo mundo ali agora tem orgulho de ser pescador”, diz Eliana.  Tudo isso mostra que a pesca artesanal continua muito viva, apesar dos obstáculos estruturais que enfrenta em todo o território nacional. Resistindo há séculos de negligência do poder público, os pescadores só precisam de políticas públicas adequadas para fazer florescer toda a sua capacidade criativa. “Novos desafios virão, claro. Mas agora estamos preparados para encarar o que vier pela frente”, diz Evanildo. E Michel entrega o seu sonho para o futuro: “Que os nossos filhos possam voltar a enxergar a possibilidade de viver da pesca, como acontecia antigamente”. 

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