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Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista

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Postado dia 5 outubro 2026

Floresta Viva anuncia novo ediatal para restauração vegetal e revitalização hídrica no São Francisco

O Edital Águas do São Francisco vai destinar R$ 20 milhões para ações de restauração ecológica da vegetação nativa e revitalização dos recursos hídricos nas áreas de influência dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica, na região entre os estados da Bahia e de Pernambuco. A iniciativa foi aprovada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito da iniciativa Floresta Viva, após aprovação prévia pelo Comitê Gestor da Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba (CPR São Francisco e Parnaíba). Serão selecionados projetos com área mínima de 100 hectares para restauração, o equivalente a cerca de 140 campos de futebol. Dos R$ 20 milhões, R$ 10 milhões serão provenientes da CPR São Francisco e Parnaíba e R$ 10 milhões do BNDES. O edital tem como objetivo a recuperação de áreas estratégicas para a segurança hídrica e energética, a revitalização dos recursos hídricos, com foco na recarga das vazões afluentes, e ampliar a resiliência ambiental dos territórios. A área de abrangência contempla 25 municípios na área do reservatório da UHE Sobradinho e 19 municípios na área do reservatório da UHE Itaparica. Entre os 44 municípios contemplados estão Juazeiro, Paulo Afonso, Jacobina, Irecê, Campo Formoso, Casa Nova, Xique-Xique e Sobradinho. “A recuperação das bacias hidrográficas é estratégica para o desenvolvimento do país. Este edital une restauração florestal e segurança hídrica, recuperando áreas degradadas e contribuindo para proteger a água, a biodiversidade e a geração de energia. É uma agenda que também envolve oportunidades de trabalho e renda nos territórios e mostra que a recuperação ambiental pode caminhar junto com o desenvolvimento econômico”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou que o projeto de transposição do Rio São Francisco desenvolvido pela pasta deve estar articulado com ações de conservação. "É preciso cuidar da nascente e do leito, que é onde o rio ganha força para chegar no Nordeste em condições de cumprir a missão sagrada com o povo do semiárido", afirmou. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da bacia do São Francisco para a segurança hídrica e energética do país. "O rio e seus reservatórios desempenham papel estratégico na geração de energia elétrica e no equilíbrio dos múltiplos usos da água. A conservação e a recuperação dessas áreas fortalecem a resiliência hídrica, protegem um recurso essencial para milhões de brasileiros e contribuem para o desenvolvimento sustentável da região e do Brasil”, acrescentou. Recursos da desestatização da Eletrobras – Os recursos da CPR São Francisco e Parnaíba têm origem nos compromissos estabelecidos no processo de desestatização da Eletrobras, atual AXIA Energia. A Lei nº 14.182/2021 estabeleceu o repasse anual de recursos para Programas de Recuperação dos Recursos Hídricos ao longo de 10 anos, que totalizam R$ 3,5 bilhões no São Francisco e Parnaíba, e R$ 2,3 bilhões na área de influência de Furnas. Os valores têm origem na outorga paga pela empresa à União e sua aplicação é definida pelo Governo Federal, por meio de Comitês Gestores. O Comitê Gestor da CPR São Francisco e Parnaíba é responsável por definir as ações que receberão os recursos e acompanhar sua execução e aplicação. Cabe à AXIA Energia implementar as ações aprovadas. O Comitê é presidido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que também exerce a função de Secretaria-Executiva. O colegiado conta ainda com representantes da Casa Civil da Presidência da República e dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), de Minas e Energia (MME), da Agricultura e Pecuária (MAPA) e das Cidades, além da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema). Restauração, água e desenvolvimento – A Usina Hidrelétrica de Itaparica, também denominada Luiz Gonzaga, está localizada na divisa entre Bahia e Pernambuco. Seu reservatório tem cerca de 11 bilhões de metros cúbicos de água e contribui para a geração de energia, irrigação e pesca. Já Sobradinho, no rio São Francisco, além da função de geração de energia elétrica, exerce papel relevante na regularização dos recursos hídricos da região. Além da recuperação da vegetação, os projetos deverão contribuir para melhorar a quantidade e a qualidade da água, conservar a biodiversidade, mitigar as mudanças climáticas e ampliar a oferta de serviços ecossistêmicos. O edital também prevê o fortalecimento da cadeia produtiva da restauração, com capacitação profissional em atividades como produção de sementes e mudas nativas, plantio, monitoramento e manejo adaptativo. O engajamento e a participação das comunidades e povos locais serão considerados prioritários. A expectativa é que o fortalecimento da cadeia produtiva gere alternativas econômicas sustentáveis e integre comunidades locais, produtores rurais e empreendedores ao processo de restauração. As ações poderão incluir capacitação em técnicas de restauração e produção de sementes e mudas de espécies nativas. “O edital Águas do São Francisco promove a restauração da vegetação nativa em áreas estratégicas da Caatinga, bioma que está sob forte pressão do avanço da desertificação e da degradação da terra. Recuperar essas áreas e ecossistemas protege nascentes e solos de que dependem as populações locais. Ganhar escala e perenidade na restauração passa também por parcerias com as comunidades locais e o setor privado”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Os projetos terão prazo de execução de até 48 meses. A implementação das ações de restauração deverá ser concluída nos primeiros 24 meses, garantindo período mínimo de outros 24 meses para manutenção e monitoramento das áreas restauradas. Seleção e acompanhamento – As inscrições estão abertas até 2 de dezembro. Parceiro gestor do Floresta Viva, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) é responsável pela condução da chamada pública e pelo acompanhamento dos projetos. Ele responde pela análise preliminar das propostas. Aquelas habilitadas seguirão para avaliação técnica por uma Comissão de Seleção formada por especialistas indicados pelo BNDES, AXIA Energia e FUNBIO. "O Floresta Viva uma iniciativa de matchfunding [financiamento conjunto com parceiros] dedicada à restauração ecológica no país e reúne recursos em escala com contribuições bem definidas para a NDC Brasileira [metas climáticas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris]. No São Francisco, esses investimentos têm foco na restauração da vegetação das bacias hidrográficas, envolvendo ganhos para a quantidade e na qualidade da água, criação de corredores e empregos verdes. A chamada vai selecionar organizações que conheçam o território e tenham capacidade técnica para o alcance dos resultados previstos", disse Manoel Serrão, superintendente de Programas do Funbio. Floresta Viva – Criado pelo BNDES, o Floresta Viva combina recursos não reembolsáveis do Banco com aportes de instituições públicas e privadas para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais nos biomas brasileiros. Os projetos são selecionados por chamadas públicas e executados por organizações com atuação nos territórios. Já foram selecionados 84 projetos, com potencial para restaurar mais de 11,2 mil hectares em praticamente todos os biomas brasileiros, além de manguezais e restingas. A iniciativa conta com 15 instituições apoiadoras e já foram celebrados contratos que somam mais de R$ 223 milhões em doações de parceiros, totalizando R$ 446 milhões em aportes para restauração. O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, estratégia que articula diferentes instrumentos financeiros com foco na restauração ecológica e no desenvolvimento da cadeia produtiva florestal no país. A estratégia já mobilizou R$ 14,6 bilhões, equivalentes ao plantio de 354 milhões de árvores e à recuperação de mais de 212 mil hectares, com previsão de geração de 89 mil empregos verdes. Programa de Aceleração do Crescimento – As ações de revitalização de bacias hidrográficas foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para identificação e superação de gargalos da execução, articulação de entes envolvidos e monitoramento para transparência à sociedade e aos órgãos de controle. “O edital prevê investimentos para recuperação hidroambiental, controle da poluição e ampliação da oferta de água para usos múltiplos”, disse o secretário Adjunto de Infraestrutura Hídrica da Casa Civil, Irani Braga.

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Postado dia 2 outubro 2026

Floresta Viva seleciona executores para restaurar 460 hectares em Pernambuco

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken anunciaram nesta quinta-feira, 1º, o resultado do edital Águas do Beberibe, da iniciativa Floresta Viva, que destinará R$ 9,9 milhões a três projetos para restaurar 460 hectares — área equivalente a cerca de 640 campos de futebol — na região de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco. Os projetos serão executados pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), pela Organização Sertaneja dos Amigos da Natureza (SOS Sertão) e pela Cooperativa de Trabalho Especializado em Serviços para Agricultura Familiar (Ecooterra). A área de abrangência do edital reúne 35 municípios, em remanescentes da Mata Atlântica e na zona de transição com a Caatinga. O Aquífero Beberibe é uma das principais reservas hídricas subterrâneas do Nordeste e tem papel estratégico no abastecimento de milhões de pessoas das regiões metropolitanas do Recife e de João Pessoa. A restauração da vegetação nativa contribui para ampliar a infiltração de água no solo, reduzir processos de erosão e degradação ambiental e melhorar as condições hídricas da região. “A restauração ecológica é uma das grandes oportunidades do Brasil na agenda climática. Com o Floresta Viva, o BNDES mobiliza recursos públicos e privados com o objetivo de recuperar áreas degradadas, fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos verdes e proteger nossos biomas. A parceria com a Heineken demonstra a confiança do setor privado nessa agenda”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. Os três projetos terão prazo de até 48 meses. O CEPAN receberá R$ 3,98 milhões para restaurar 200 hectares; a SOS Sertão, R$ 2,96 milhões para 160 hectares; e a Ecooterra, R$ 2,96 milhões para 100 hectares. Para Breno Aguiar, executivo de sustentabilidade do Grupo Heineken Brasil, “a restauração florestal é uma das estratégias mais eficazes para ampliar a resiliência climática e hídrica dos territórios e promover a conservação dos recursos naturais. A seleção desses projetos reforça a importância de conectar diferentes parceiros em uma agenda comum, potencializando conhecimento, recursos e capacidade de execução.” Gestão do edital – Parceiro gestor do Floresta Viva, o Funbio é responsável pela condução das chamadas públicas, processo de seleção e acompanhamento da execução dos projetos. "O edital selecionou três organizações com atuações distintas e complementares: pesquisa aplicada, assistência técnica para comunidades rurais no sertão e trabalho com agricultura familiar. Essa atuação diversificada pode ajudar muito a responder aos desafios do território localizados entre a Mata Atlântica e a Caatinga. Esta é mais uma ação que faz do Floresta Viva a maior iniciativa de matchfunding voltada à restauração ecológica no Brasil”, afirma Manoel Serrão, superintendente de Programas do Funbio. Floresta Viva – Criado pelo BNDES, o Floresta Viva combina recursos não reembolsáveis do Banco com aportes de instituições públicas e privadas para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais nos biomas brasileiros. Os projetos são selecionados por chamadas públicas e executados por organizações com atuação nos territórios.  A iniciativa opera no modelo de matchfunding, em que os recursos do Fundo Socioambiental do BNDES são combinados com aportes de parceiros públicos e privados, ampliando a escala dos investimentos. “Proteger as áreas de recarga é uma forma de cuidar da segurança hídrica e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades nos territórios. A restauração fortalece cadeias produtivas, cria empregos verdes, qualifica trabalhadores e gera renda local. É uma agenda que combina conservação ambiental, adaptação climática e desenvolvimento econômico”, afirma o superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri. Já foram selecionados 84 projetos, com potencial para restaurar 11.260,83 hectares em praticamente todos os biomas brasileiros, além de manguezais e restingas. A iniciativa recebeu o Prêmio Alide 2024, concedido pela Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, em reconhecimento ao caráter inovador do modelo, que combina banco público de desenvolvimento, parceiro gestor, empresas, governos e organizações executoras. Os 16 editais já lançados são: Manguezais do Brasil; Amazonas; Bacia do Rio Xingu; Corredores de Biodiversidade; Conectando Paisagens; Caatinga Viva; Sudeste do Paraná; Florestas do Rio; Conectando Paisagens 2; Bacia do Rio Xingu 2; Florestas do Rio 2; Terras Indígenas; Pantanal; Águas do Beberibe; Águas do Paranaíba; e Bacia do Rio Parnaíba – Piauí. O Floresta Viva conta com 15 instituições apoiadoras e já foram celebrados contratos que somam mais de R$ 223 milhões em doações de parceiros, totalizando R$ 446 milhões em aportes para restauração. A iniciativa também recebeu recursos do banco alemão de desenvolvimento KfW, no montante de até € 15 milhões. O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, estratégia que articula diferentes instrumentos financeiros do Banco para ampliar a restauração ecológica e desenvolver a cadeia produtiva florestal no país. A estratégia já mobilizou R$ 14,6 bilhões, equivalentes ao plantio de 354 milhões de árvores e à recuperação de mais de 212 mil hectares, com previsão de geração de 89 mil empregos verdes. A atuação combina recursos não reembolsáveis, crédito e investimentos para apoiar desde organizações e projetos locais até empreendimentos de restauração em maior escala, envolvendo uma nova economia da floresta baseada na recuperação de áreas degradadas, conservação da biodiversidade, geração de trabalho e renda e enfrentamento das mudanças climáticas.

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Postado dia 29 setembro 2026

Encontro do Bolsas FUNBIO destaca contribuições da nova geração de cientistas para a conservação da biodiversidade

Da descoberta de novas espécies da flora ao levantamento de dados que ajudaram a incluir um pequeno felino na lista de espécies vulneráveis; do estudo dos efeitos das queimadas sobre morcegos à investigação dos impactos do protetor solar sobre os recifes de corais, chegando à admirável história de um sapo que impediu a construção de uma hidrelétrica. São trabalhos diferentes, mas com algo em comum: são pesquisas apoiadas pelo Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro que estão ampliando o conhecimento sobre biodiversidade e contribuindo para a conservação no país. Parte desses resultados foi compartilhada no dia 17 de setembro, em Porto Alegre, durante o encontro regional do programa, que reuniu pesquisadores gaúchos para compartilhar seus trabalhos, discutir desafios e contar um pouco do que acontece quando a pesquisa sai do papel e vai a campo.  O encontro foi o quinto da série de diálogos regionais promovidos pelo Bolsas FUNBIO para a troca de experiências e a integração entre cientistas. Os pesquisadores foram recebidos por Rosa Lemos de Sá, secretária-geral do FUNBIO com uma reconhecida trajetória na ciência, dedicada ao estudo de espécies de primatas ameaçadas de extinção; e por Eduardo Secchi, oceanólogo e professor titular do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), integrante do Conselho Deliberativo do FUNBIO. Além de apresentarem suas pesquisas, os cientistas discutiram os desafios de fazer ciência no país e sobre como aproximar o conhecimento produzido nas universidades da sociedade civil e das políticas públicas.  Maria Eduarda Alberti veio de longe. Foram mais de cinco horas de estrada, de Carazinho, no norte do Rio Grande do Sul, até Porto Alegre, para compartilhar com os colegas a importância de ter sido contemplada pelo Bolsas FUNBIO. Eduarda fez do amor pelos felinos o tema da pesquisa do Mestrado realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No curso, iniciado em 2023, ela investigou o gato-do-mato pequeno (Leopardus guttulus), espécie encontrada em áreas de Mata Atlântica e de transição com o Pampa.   No entanto, as chuvas que atingiram o Estado em 2024 destruíram equipamentos da Universidade e quase interromperam os planos de Maria Eduarda. O apoio do Bolsas FUNBIO permitiu repor parte da estrutura perdida e, sobretudo, manter a pesquisa em campo. Além do suporte financeiro, a acolhida da equipe do programa também foi fundamental para Eduarda conseguir reorganizar a agenda de trabalho e seguir com a investigação. “Pesquisa tem risco, o estudante precisa ter a segurança de que pode ser acolhido. Por isso eu vim de longe agradecer pessoalmente pelo suporte que recebi de vocês”, explica Maria Eduarda. Os dados coletados durante a pesquisa contribuíram para a avaliação do gato-do-mato-pequeno como espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).   Fernando Fernandes não imaginava que a pesquisa iniciada no mestrado, com apoio do Bolsas FUNBIO, o levaria tão longe. O ponto de partida era uma pequena flor amarela, a margarida-da-praia (Grindelia atlântica), espécie endêmica do Rio Grande do Sul e restrita ao litoral de Pelotas e Rio Grande. O trabalho de campo ampliou o conhecimento sobre a distribuição, a taxonomia e o estado de conservação da planta, que foi classificada como Criticamente em Perigo (CR), segundo os critérios da IUCN. Mas a margarida não ficou restrita aos artigos e relatórios. Ao dar visibilidade à espécie e à importância de sua conservação, o trabalho de Fernando ajudou a aproximar a margarida-da-praia da população local. A flor ganhou até um apelido carinhoso que traduz essa nova relação: “quindim de Pelotas”.  Durante a pesquisa de campo, Fernando entendeu que a pequena flor amarela ainda tinha muito a revelar. O que começou com a margarida-da-praia levou o biólogo a identificar outras seis espécies do gênero ameaçadas no Brasil — cinco delas novas para a ciência. Entre as descobertas estão a Grindelia rheophila, a primeira espécie fluvial do gênero já identificada no mundo, e a Grindelia mutabilis, que apresenta características morfológicas e filogenéticas que a posicionam como elo entre os gêneros Notopappus e Grindelia. “Tudo isso só foi possível porque o Bolsas FUNBIO viabilizou a pesquisa de campo inicial com as margaridas-da-praia, que abriram caminho para a descoberta das novas espécies”, afirma Fernando.  A pesquisa levou a pesquisadora Cintia da Costa do sul do país para o Cerrado. Doutoranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela estuda os efeitos do fogo sobre padrões de ocupação de comunidades de morcego nas savanas brasileiras. O apoio do Bolsas FUNBIO viabilizou três anos de pesquisa de campo, com sucessivas permanências de um mês na Chapada dos Guimarães. As viagens permitiram levantar informações sobre espécies ameaçadas, identificar cavernas que são hotspots de morcegos na região e compreender melhor os efeitos dos incêndios sobre o comportamento das espécies. “Áreas de incêndios recorrentes já registram mudanças de hábito. Há espécies passando a ocupar áreas queimadas, e espécies deixando de ocupar as regiões mais afetadas por incêndios. Tem cavernas de uso exclusivo de morcegos pegando fogo e colocando em risco algumas espécies”, comenta a pesquisadora.   Do Cerrado para os campos de altitude do sul do Brasil, a pesquisadora Natália Vargas investigou a tolerância térmica de duas espécies de pequenos anfíbios que vivem em áreas muito restritas da Mata Atlântica. Avaliado como ‘criticamente em perigo’ pela IUCN, o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha sobrevive em um trecho de apenas 700 metros às margens do Rio Forqueta. Já o sapinho-verde-de-barriga-vermelha, classificado como vulnerável, é conhecido em apenas duas populações, em Cambará do Sul e São Francisco de Paula. Com apenas 3 a 4 centímetros, os sapinhos dependem da água para se reproduzir e são especialmente sensíveis às mudanças climáticas. E o problema não está apenas nas estiagens: ainda se sabe pouco sobre como esses pequenos anfíbios respondem às transformações do ambiente. A pesquisa de Natália mostrou que as duas espécies têm baixa tolerância ao calor, um dado que ajuda a dimensionar os riscos que o aumento da temperatura representa para sua sobrevivência.  Quando Natália ingressou no doutorado na UFRGS, em 2020, as duas espécies já mobilizavam pesquisadores e ambientalistas há mais de uma década. Para o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha, havia uma razão especialmente urgente para a atuação em sua defesa: por anos, a proposta de construção de uma pequena hidrelétrica no Rio Forqueta ameaçava destruir o único lugar conhecido no mundo onde a espécie vive. Foram os dados científicos de um conjunto de pesquisadores que impediu que a hidrelétrica saísse do papel. Há uma proposta de criação de uma RPPN no local, ainda em negociação com proprietários — uma chance adicional de garantir que o pequeno território do sapinho-admirável-de-barriga-vermelha continue sendo também sua casa. Ao estudar como esses pequenos anfíbios respondem às mudanças do ambiente, Natália ajuda a produzir o conhecimento necessário para orientar sua conservação.  Quando a pesquisa encontra a sociedade  As doutorandas Ana Chiovatto e Carolina Grando têm um interesse em comum: entender como a ação humana interfere na vida dos recifes de corais. Alunas da UFRGS, as duas pesquisam o tema por caminhos distintos. Ana investiga como os filtros solares afetam espécies de corais nativos, enquanto Carolina amplia o olhar para os efeitos das mudanças climáticas, da poluição e do turismo sobre os recifes. Ainda no começo da pesquisa, as duas compartilharam não apenas o que já descobriram, mas também as perguntas – e a motivação – que orientam os próximos passos. Afinal, por trás de cada trabalho, há também uma trajetória, feita de escolhas e desafios: selecionada no edital de 2024, Carolina destacou o quanto o Bolsas foi importante para seguir em frente com a pesquisa em um momento especialmente desafiador de sua trajetória pessoal. “O Bolsas FUNBIO fez eu voltar a me enxergar como uma cientista, com ideias e projetos futuros”, afirma.  Ana chamou atenção para uma questão que acompanha quem produz conhecimento: o que fazer para que a pesquisa não fique restrita à universidade? No campo da conservação, a desinformação pode dificultar a compreensão dos problemas ambientais e a adoção de práticas mais sustentáveis. Em seu estudo sobre os efeitos do filtro solar nos recifes, ela investiga não apenas os impactos da benzofenona-3 sobre gametas e larvas de corais, mas também como transformar esse conhecimento em informação capaz de chegar às pessoas e influenciar comportamentos. “Hoje, não penso em seguir a carreira acadêmica. Quero trabalhar com educação ambiental e comunicação científica para ajudar a fazer com que os resultados das pesquisas tenham impacto e façam diferença na sociedade”, afirma.  Quando diferentes áreas do conhecimento se encontram, novas possibilidades de ação podem sugerir. Com dupla formação em medicina veterinária e biologia, Lis Santos aplicou o conhecimento que tinha de reprodução animal para outro campo, investigando como uma ferramenta de biotecnologia poderia contribuir para a conservação das abelhas sem ferrão — importantes polinizadoras e fundamentais para a manutenção da biodiversidade. No doutorado, ela desenvolveu uma metodologia para congelamento e armazenamento do sêmen das abelhas, criando uma alternativa mais acessível para a conservação de material genético, com potencial de adaptação a diferentes espécies. “Com a pesquisa, estruturamos um protocolo simples e acessível, sem a necessidade de equipamentos sofisticados. Além da importância para a conservação, existe também um potencial de aplicação na meliponicultura, inclusive como uma ferramenta que, no futuro, possa ser acessível a pequenos produtores”, explica.   Levar a ciência para além dos muros da universidade também significa reconhecer que nenhuma pesquisa começa ou termina em quem a realiza. Para o professor e pesquisador Eduardo Secchi, fazer ciência exige paixão, compromisso com a verdade e humildade para entender que o conhecimento é uma construção de longo prazo, que ultrapassa os limites de uma pesquisa individual. “O conhecimento vem sendo construído há milênios e não se resume ao achado individual de uma pesquisa. O que fazemos hoje serve de base para que outros pesquisadores possam avançar amanhã. Entender que fazemos parte dessa construção coletiva é um dos entendimentos mais importantes para quem faz ciência”, afirma.   

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