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Mecanismo indígena Vítuke

Recursos diretos para os indígenas de todos os biomas brasileiros.

Floresta Viva

Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras

FINACLIMA-SP

Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista

AMAZÔNIA VIVA

Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Fundo Kayapó

Mecanismo indígena que tem como missão apoiar o povo indígena Mebêngôkre-Kayapó

ARPA

O maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta

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Postado dia 2 outubro 2026

Floresta Viva seleciona executores para restaurar 460 hectares em Pernambuco

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken anunciaram nesta quinta-feira, 1º, o resultado do edital Águas do Beberibe, da iniciativa Floresta Viva, que destinará R$ 9,9 milhões a três projetos para restaurar 460 hectares — área equivalente a cerca de 640 campos de futebol — na região de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco. Os projetos serão executados pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), pela Organização Sertaneja dos Amigos da Natureza (SOS Sertão) e pela Cooperativa de Trabalho Especializado em Serviços para Agricultura Familiar (Ecooterra). A área de abrangência do edital reúne 35 municípios, em remanescentes da Mata Atlântica e na zona de transição com a Caatinga. O Aquífero Beberibe é uma das principais reservas hídricas subterrâneas do Nordeste e tem papel estratégico no abastecimento de milhões de pessoas das regiões metropolitanas do Recife e de João Pessoa. A restauração da vegetação nativa contribui para ampliar a infiltração de água no solo, reduzir processos de erosão e degradação ambiental e melhorar as condições hídricas da região. “A restauração ecológica é uma das grandes oportunidades do Brasil na agenda climática. Com o Floresta Viva, o BNDES mobiliza recursos públicos e privados com o objetivo de recuperar áreas degradadas, fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos verdes e proteger nossos biomas. A parceria com a Heineken demonstra a confiança do setor privado nessa agenda”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. Os três projetos terão prazo de até 48 meses. O CEPAN receberá R$ 3,98 milhões para restaurar 200 hectares; a SOS Sertão, R$ 2,96 milhões para 160 hectares; e a Ecooterra, R$ 2,96 milhões para 100 hectares. Para Breno Aguiar, executivo de sustentabilidade do Grupo Heineken Brasil, “a restauração florestal é uma das estratégias mais eficazes para ampliar a resiliência climática e hídrica dos territórios e promover a conservação dos recursos naturais. A seleção desses projetos reforça a importância de conectar diferentes parceiros em uma agenda comum, potencializando conhecimento, recursos e capacidade de execução.” Gestão do edital – Parceiro gestor do Floresta Viva, o Funbio é responsável pela condução das chamadas públicas, processo de seleção e acompanhamento da execução dos projetos. "O edital selecionou três organizações com atuações distintas e complementares: pesquisa aplicada, assistência técnica para comunidades rurais no sertão e trabalho com agricultura familiar. Essa atuação diversificada pode ajudar muito a responder aos desafios do território localizados entre a Mata Atlântica e a Caatinga. Esta é mais uma ação que faz do Floresta Viva a maior iniciativa de matchfunding voltada à restauração ecológica no Brasil”, afirma Manoel Serrão, superintendente de Programas do Funbio. Floresta Viva – Criado pelo BNDES, o Floresta Viva combina recursos não reembolsáveis do Banco com aportes de instituições públicas e privadas para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais nos biomas brasileiros. Os projetos são selecionados por chamadas públicas e executados por organizações com atuação nos territórios.  A iniciativa opera no modelo de matchfunding, em que os recursos do Fundo Socioambiental do BNDES são combinados com aportes de parceiros públicos e privados, ampliando a escala dos investimentos. “Proteger as áreas de recarga é uma forma de cuidar da segurança hídrica e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades nos territórios. A restauração fortalece cadeias produtivas, cria empregos verdes, qualifica trabalhadores e gera renda local. É uma agenda que combina conservação ambiental, adaptação climática e desenvolvimento econômico”, afirma o superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri. Já foram selecionados 84 projetos, com potencial para restaurar 11.260,83 hectares em praticamente todos os biomas brasileiros, além de manguezais e restingas. A iniciativa recebeu o Prêmio Alide 2024, concedido pela Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, em reconhecimento ao caráter inovador do modelo, que combina banco público de desenvolvimento, parceiro gestor, empresas, governos e organizações executoras. Os 16 editais já lançados são: Manguezais do Brasil; Amazonas; Bacia do Rio Xingu; Corredores de Biodiversidade; Conectando Paisagens; Caatinga Viva; Sudeste do Paraná; Florestas do Rio; Conectando Paisagens 2; Bacia do Rio Xingu 2; Florestas do Rio 2; Terras Indígenas; Pantanal; Águas do Beberibe; Águas do Paranaíba; e Bacia do Rio Parnaíba – Piauí. O Floresta Viva conta com 15 instituições apoiadoras e já foram celebrados contratos que somam mais de R$ 223 milhões em doações de parceiros, totalizando R$ 446 milhões em aportes para restauração. A iniciativa também recebeu recursos do banco alemão de desenvolvimento KfW, no montante de até € 15 milhões. O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, estratégia que articula diferentes instrumentos financeiros do Banco para ampliar a restauração ecológica e desenvolver a cadeia produtiva florestal no país. A estratégia já mobilizou R$ 14,6 bilhões, equivalentes ao plantio de 354 milhões de árvores e à recuperação de mais de 212 mil hectares, com previsão de geração de 89 mil empregos verdes. A atuação combina recursos não reembolsáveis, crédito e investimentos para apoiar desde organizações e projetos locais até empreendimentos de restauração em maior escala, envolvendo uma nova economia da floresta baseada na recuperação de áreas degradadas, conservação da biodiversidade, geração de trabalho e renda e enfrentamento das mudanças climáticas.

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Postado dia 29 setembro 2026

Encontro do Bolsas FUNBIO destaca contribuições da nova geração de cientistas para a conservação da biodiversidade

Da descoberta de novas espécies da flora ao levantamento de dados que ajudaram a incluir um pequeno felino na lista de espécies vulneráveis; do estudo dos efeitos das queimadas sobre morcegos à investigação dos impactos do protetor solar sobre os recifes de corais, chegando à admirável história de um sapo que impediu a construção de uma hidrelétrica. São trabalhos diferentes, mas com algo em comum: são pesquisas apoiadas pelo Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro que estão ampliando o conhecimento sobre biodiversidade e contribuindo para a conservação no país. Parte desses resultados foi compartilhada no dia 17 de setembro, em Porto Alegre, durante o encontro regional do programa, que reuniu pesquisadores gaúchos para compartilhar seus trabalhos, discutir desafios e contar um pouco do que acontece quando a pesquisa sai do papel e vai a campo.  O encontro foi o quinto da série de diálogos regionais promovidos pelo Bolsas FUNBIO para a troca de experiências e a integração entre cientistas. Os pesquisadores foram recebidos por Rosa Lemos de Sá, secretária-geral do FUNBIO com uma reconhecida trajetória na ciência, dedicada ao estudo de espécies de primatas ameaçadas de extinção; e por Eduardo Secchi, oceanólogo e professor titular do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), integrante do Conselho Deliberativo do FUNBIO. Além de apresentarem suas pesquisas, os cientistas discutiram os desafios de fazer ciência no país e sobre como aproximar o conhecimento produzido nas universidades da sociedade civil e das políticas públicas.  Maria Eduarda Alberti veio de longe. Foram mais de cinco horas de estrada, de Carazinho, no norte do Rio Grande do Sul, até Porto Alegre, para compartilhar com os colegas a importância de ter sido contemplada pelo Bolsas FUNBIO. Eduarda fez do amor pelos felinos o tema da pesquisa do Mestrado realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No curso, iniciado em 2023, ela investigou o gato-do-mato pequeno (Leopardus guttulus), espécie encontrada em áreas de Mata Atlântica e de transição com o Pampa.   No entanto, as chuvas que atingiram o Estado em 2024 destruíram equipamentos da Universidade e quase interromperam os planos de Maria Eduarda. O apoio do Bolsas FUNBIO permitiu repor parte da estrutura perdida e, sobretudo, manter a pesquisa em campo. Além do suporte financeiro, a acolhida da equipe do programa também foi fundamental para Eduarda conseguir reorganizar a agenda de trabalho e seguir com a investigação. “Pesquisa tem risco, o estudante precisa ter a segurança de que pode ser acolhido. Por isso eu vim de longe agradecer pessoalmente pelo suporte que recebi de vocês”, explica Maria Eduarda. Os dados coletados durante a pesquisa contribuíram para a avaliação do gato-do-mato-pequeno como espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).   Fernando Fernandes não imaginava que a pesquisa iniciada no mestrado, com apoio do Bolsas FUNBIO, o levaria tão longe. O ponto de partida era uma pequena flor amarela, a margarida-da-praia (Grindelia atlântica), espécie endêmica do Rio Grande do Sul e restrita ao litoral de Pelotas e Rio Grande. O trabalho de campo ampliou o conhecimento sobre a distribuição, a taxonomia e o estado de conservação da planta, que foi classificada como Criticamente em Perigo (CR), segundo os critérios da IUCN. Mas a margarida não ficou restrita aos artigos e relatórios. Ao dar visibilidade à espécie e à importância de sua conservação, o trabalho de Fernando ajudou a aproximar a margarida-da-praia da população local. A flor ganhou até um apelido carinhoso que traduz essa nova relação: “quindim de Pelotas”.  Durante a pesquisa de campo, Fernando entendeu que a pequena flor amarela ainda tinha muito a revelar. O que começou com a margarida-da-praia levou o biólogo a identificar outras seis espécies do gênero ameaçadas no Brasil — cinco delas novas para a ciência. Entre as descobertas estão a Grindelia rheophila, a primeira espécie fluvial do gênero já identificada no mundo, e a Grindelia mutabilis, que apresenta características morfológicas e filogenéticas que a posicionam como elo entre os gêneros Notopappus e Grindelia. “Tudo isso só foi possível porque o Bolsas FUNBIO viabilizou a pesquisa de campo inicial com as margaridas-da-praia, que abriram caminho para a descoberta das novas espécies”, afirma Fernando.  A pesquisa levou a pesquisadora Cintia da Costa do sul do país para o Cerrado. Doutoranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela estuda os efeitos do fogo sobre padrões de ocupação de comunidades de morcego nas savanas brasileiras. O apoio do Bolsas FUNBIO viabilizou três anos de pesquisa de campo, com sucessivas permanências de um mês na Chapada dos Guimarães. As viagens permitiram levantar informações sobre espécies ameaçadas, identificar cavernas que são hotspots de morcegos na região e compreender melhor os efeitos dos incêndios sobre o comportamento das espécies. “Áreas de incêndios recorrentes já registram mudanças de hábito. Há espécies passando a ocupar áreas queimadas, e espécies deixando de ocupar as regiões mais afetadas por incêndios. Tem cavernas de uso exclusivo de morcegos pegando fogo e colocando em risco algumas espécies”, comenta a pesquisadora.   Do Cerrado para os campos de altitude do sul do Brasil, a pesquisadora Natália Vargas investigou a tolerância térmica de duas espécies de pequenos anfíbios que vivem em áreas muito restritas da Mata Atlântica. Avaliado como ‘criticamente em perigo’ pela IUCN, o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha sobrevive em um trecho de apenas 700 metros às margens do Rio Forqueta. Já o sapinho-verde-de-barriga-vermelha, classificado como vulnerável, é conhecido em apenas duas populações, em Cambará do Sul e São Francisco de Paula. Com apenas 3 a 4 centímetros, os sapinhos dependem da água para se reproduzir e são especialmente sensíveis às mudanças climáticas. E o problema não está apenas nas estiagens: ainda se sabe pouco sobre como esses pequenos anfíbios respondem às transformações do ambiente. A pesquisa de Natália mostrou que as duas espécies têm baixa tolerância ao calor, um dado que ajuda a dimensionar os riscos que o aumento da temperatura representa para sua sobrevivência.  Quando Natália ingressou no doutorado na UFRGS, em 2020, as duas espécies já mobilizavam pesquisadores e ambientalistas há mais de uma década. Para o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha, havia uma razão especialmente urgente para a atuação em sua defesa: por anos, a proposta de construção de uma pequena hidrelétrica no Rio Forqueta ameaçava destruir o único lugar conhecido no mundo onde a espécie vive. Foram os dados científicos de um conjunto de pesquisadores que impediu que a hidrelétrica saísse do papel. Há uma proposta de criação de uma RPPN no local, ainda em negociação com proprietários — uma chance adicional de garantir que o pequeno território do sapinho-admirável-de-barriga-vermelha continue sendo também sua casa. Ao estudar como esses pequenos anfíbios respondem às mudanças do ambiente, Natália ajuda a produzir o conhecimento necessário para orientar sua conservação.  Quando a pesquisa encontra a sociedade  As doutorandas Ana Chiovatto e Carolina Grando têm um interesse em comum: entender como a ação humana interfere na vida dos recifes de corais. Alunas da UFRGS, as duas pesquisam o tema por caminhos distintos. Ana investiga como os filtros solares afetam espécies de corais nativos, enquanto Carolina amplia o olhar para os efeitos das mudanças climáticas, da poluição e do turismo sobre os recifes. Ainda no começo da pesquisa, as duas compartilharam não apenas o que já descobriram, mas também as perguntas – e a motivação – que orientam os próximos passos. Afinal, por trás de cada trabalho, há também uma trajetória, feita de escolhas e desafios: selecionada no edital de 2024, Carolina destacou o quanto o Bolsas foi importante para seguir em frente com a pesquisa em um momento especialmente desafiador de sua trajetória pessoal. “O Bolsas FUNBIO fez eu voltar a me enxergar como uma cientista, com ideias e projetos futuros”, afirma.  Ana chamou atenção para uma questão que acompanha quem produz conhecimento: o que fazer para que a pesquisa não fique restrita à universidade? No campo da conservação, a desinformação pode dificultar a compreensão dos problemas ambientais e a adoção de práticas mais sustentáveis. Em seu estudo sobre os efeitos do filtro solar nos recifes, ela investiga não apenas os impactos da benzofenona-3 sobre gametas e larvas de corais, mas também como transformar esse conhecimento em informação capaz de chegar às pessoas e influenciar comportamentos. “Hoje, não penso em seguir a carreira acadêmica. Quero trabalhar com educação ambiental e comunicação científica para ajudar a fazer com que os resultados das pesquisas tenham impacto e façam diferença na sociedade”, afirma.  Quando diferentes áreas do conhecimento se encontram, novas possibilidades de ação podem sugerir. Com dupla formação em medicina veterinária e biologia, Lis Santos aplicou o conhecimento que tinha de reprodução animal para outro campo, investigando como uma ferramenta de biotecnologia poderia contribuir para a conservação das abelhas sem ferrão — importantes polinizadoras e fundamentais para a manutenção da biodiversidade. No doutorado, ela desenvolveu uma metodologia para congelamento e armazenamento do sêmen das abelhas, criando uma alternativa mais acessível para a conservação de material genético, com potencial de adaptação a diferentes espécies. “Com a pesquisa, estruturamos um protocolo simples e acessível, sem a necessidade de equipamentos sofisticados. Além da importância para a conservação, existe também um potencial de aplicação na meliponicultura, inclusive como uma ferramenta que, no futuro, possa ser acessível a pequenos produtores”, explica.   Levar a ciência para além dos muros da universidade também significa reconhecer que nenhuma pesquisa começa ou termina em quem a realiza. Para o professor e pesquisador Eduardo Secchi, fazer ciência exige paixão, compromisso com a verdade e humildade para entender que o conhecimento é uma construção de longo prazo, que ultrapassa os limites de uma pesquisa individual. “O conhecimento vem sendo construído há milênios e não se resume ao achado individual de uma pesquisa. O que fazemos hoje serve de base para que outros pesquisadores possam avançar amanhã. Entender que fazemos parte dessa construção coletiva é um dos entendimentos mais importantes para quem faz ciência”, afirma.   

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Postado dia 29 setembro 2026

Cadeia do mercúrio: pesquisa investiga impactos do garimpo ilegal em morcegos amazônicos

O mercúrio usado na mineração ilegal de ouro pode percorrer um longo caminho até chegar à fauna amazônica. Lançado nos rios, o contaminante altamente tóxico – inclusive para nós – pode alcançar organismos aquáticos, passar para insetos e, destes, chegar também aos morcegos que se alimentam deles. Entender esse percurso e, principalmente, o que a contaminação provoca na saúde desses animais é o objetivo da pesquisa liderada por Daniela Bôlla, doutoranda do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), apoiada pelo Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro 2025.  O trabalho parte de uma lacuna: já existem muitos estudos que registram a presença de mercúrio na fauna silvestre, mas ainda falta compreender como animais expostos em vida livre respondem fisiologicamente à contaminação. “A gente não está interessado em saber se tem ou se não tem mercúrio. Provavelmente vai ter. E aí, nesses bichos em que houver mercúrio, será que eles têm alguma condição fisiológica que possa indicar para nós uma resposta ao contaminante?”, explica a pesquisadora.  As amostragens serão realizadas em diferentes pontos da Amazônia, com duas áreas principais com forte presença do garimpo ilegal: a Volta Grande do Xingu, no Pará, e a região do rio Uraricoera e do Furo Santa Rosa, em Roraima, no entorno da Estação Ecológica de Maracá e próximo à Terra Yanomami.  Em campo, a pesquisa vai coletar amostras de solo, água e insetos, além de pelos dos morcegos capturados com redes de neblina – armadilha de malha fina quase invisível usada para capturar os animais com segurança – e soltos após a coleta. A intenção é acompanhar o contaminante ao longo da cadeia alimentar.   “Vamos mensurar mercúrio no solo, na água e nos insetos, que são as principais presas dos morcegos”, conta. “Estamos tentando rastrear também esse mercúrio vindo da cadeia trófica: desde o solo, para a água, para o inseto, até chegar ao morcego”, detalha Bôlla.  Apesar da pesquisa não ter foco específico em uma espécie, a pesquisadora chama atenção para espécies como o “Thumbless bat” ou “morcego sem polegar” (Furipterus horrens), ameaçado de extinção no Brasil que utiliza fendas em rochas próximas à água como abrigo. Essa relação estreita com ambientes aquáticos pode aumentar sua exposição aos contaminantes despejados nos rios.  Mais do que registrar a presença do metal pesado, a pesquisa pretende relacionar diferentes níveis de contaminação a alterações fisiológicas nos morcegos. “A gente já passou dessa fase de só reportar o contaminante. A gente precisa saber como os bichos estão sendo impactados para tentar criar medidas para remediar isso ou resolver”, ressalta a doutoranda.  Ela acrescenta que o apoio do Bolsas FUNBIO foi decisivo para viabilizar tanto as expedições quanto as análises laboratoriais. Trabalhar em regiões remotas da Amazônia envolve altos gastos com combustível, embarcações, barqueiros, mateiros, hospedagem e alimentação, além dos custos dos reagentes e equipamentos necessários para medir o mercúrio. As análises serão feitas com um equipamento chamado DMA-80, um analisador direto de mercúrio.   Com o apoio, o projeto poderá avançar da constatação da presença do mercúrio para uma questão mais complexa: compreender o que a contaminação provocada pelo garimpo significa, de fato, para a saúde e a conservação dos morcegos amazônicos. 

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