Floresta Viva
Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras
FINACLIMA-SP
Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista
AMAZÔNIA VIVA
Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Travessia Guadakan recebe visitantes para percorrer a Serra do Amolar
Em meio às montanhas da Serra do Amolar, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e na fronteira com a Bolívia, uma nova trilha de longo curso percorre e conecta diferentes paisagens e aspectos culturais da região. É a Travessia Guadakan, percurso de cerca de 30 km implementado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) com o apoio do GEF Terrestre, que recebeu representantes do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério do Turismo para uma press trip entre os dias 5 e 11 de agosto. A atividade marcou o encerramento da parceria entre a instituição e o projeto, que ampliou as ações de manejo da trilha enraizada no coração do Pantanal, que ainda está em implementação e que, em breve, será aberta ao público. O nome da trilha traz uma forte representação do bioma e da localidade em que está inserida: “Guadakan” significa “Pantanal” na língua Guató, idioma falado pela comunidade indígena, de mesmo nome, que é conhecida também como “povo canoeiro” e ocupa o território há mais de 5 mil anos. De um dos pontos do caminho, que chega a cerca de mil metros de altitude, é possível ver a Aldeia Guató Uberaba, localizada na Ilha Ínsua. A trilha foi construída em diálogo com a comunidade Guató e incorpora referências à história e à presença desse povo no território. “Essa travessia significa muito para nós: principalmente resistência e força. Sentimos uma conexão com a natureza muito grande aqui. A natureza dá a mensagem que os ancestrais Guató passaram por aqui. A gente sente essa força dos guerreiros Guató e isso nos deixa muito felizes”, comemora Luiz Carlos Souza Alvarenga, cacique da Aldeia Uberaba. O apoio do GEF Terrestre foi crucial no aperfeiçoamento da trilha nos últimos 18 meses. A travessia integrou a chamada 05/2024, que previa a criação e implementação de trilhas de longo curso na Caatinga, Pampa e Pantanal. Com os recursos recebidos, o IHP realizou ações de manejo relacionadas à adequação do percurso para a regularização junto ao MMA e a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade – RedeTrilhas, inserida no Programa Nacional de Conectividade de Paisagens - CONECTA. A trilha também pode ser utilizada como rota de acesso a áreas remotas da Serra do Amolar, formação montanhosa com 80 quilômetros de extensão e formada pelos últimos eventos de soerguimento da Cordilheira dos Andes, há cerca de 2,5 milhões de anos. “A Travessia Guadakan conecta as pessoas à ancestralidade presente no território. Ela desempenha um papel estratégico no combate a incêndios florestais em áreas remotas e permite o acesso de brigadas, como a Brigada Alto Pantanal, mantida pelo IHP”, explica Angelo Rabelo, presidente do instituto.
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Publicações sobre restauração ecológica na Caatinga, Pampa e Pantanal são apresentadas na SOBRE 2026
Na última semana de julho, representantes de projetos apoiados e a equipe do GEF Terrestre participaram da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE2026. O evento, que aconteceu na Universidade de Brasília (UnB), reuniu pesquisadores, financiadores, povos e comunidades tradicionais e proporcionou debates sobre a restauração ecológica no Brasil. Dentro da programação, os resultados obtidos pelo GEF Terrestre foram apresentados no simpósio “Referenciais teóricos e práticos de restauração ecológica nos biomas Caatinga, Pantanal e Pampa”, que reuniu cerca de 150 pessoas. Na ocasião, as publicações desenvolvidas pelas organizações de cada um dos biomas apoiados pelo projeto também foram divulgadas. Rodolfo Marçal, gerente do GEF Terrestre no Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO); Pedro Sena, biólogo e representante da Rede para restauração da Caatinga (ReCaa), Cátia Nunes, professora da Universidade Federal de Mato Grosso e pesquisadora de áreas úmidas; e Ana Rovedder, professora da Universidade Federal de Santa Maria e representante da Rede Sul de Restauração Ecológica fizeram as apresentações, que tiveram a mediação de Vivian Saddock, integrante da gerência do projeto no FUNBIO. Marçal compartilhou dados e lições aprendidas nos anos de execução do GEF Terrestre, apresentando um balanço das ações desenvolvidas e dos resultados observados nos três biomas apoiados pelo projeto. Em seguida, os convidados apresentaram três publicações, uma para cada bioma, contendo referenciais teóricos para a restauração e protocolos de monitoramento. O desenvolvimento destas publicações foi feito pelas redes de restauração de cada bioma, com o apoio do GEF Terrestre por meio da contratação de consultorias especializadas que auxiliaram na elaboração do conteúdo técnico, diagramação e impressão das publicações. Para Pedro Sena, a publicação desempenha um papel fundamental na restauração da Caatinga. “É um documento pioneiro, que organiza formas de monitorar o bioma e traz valores de referência e metodologias para a recuperação da fauna e flora”, celebra. “É um material que será usado por técnicos, governos e por pesquisadores para monitorar e organizar o arcabouço das áreas de restauração da Caatinga”, avalia. Os participantes receberam as versões impressas das três publicações desenvolvidas: “Referencial Teórico para a Restauração e Protocolo de Monitoramento da Restauração da Caatinga”, “Recuperação do Pantanal – Um guia prático para a restauração ecológica”, e “Bases teóricas e práticas da restauração ecológica no bioma Pampa”. “Esses materiais foram construídos para serem bases orientadoras, oferecendo protocolos de monitoramento, com indicadores e valores de referência específicos que vão ajudar as instituições locais na avaliação dos processos de restauração ecológica em cada bioma”, explica Vivian. O GEF Terrestre ainda apoiou a ida de cerca de 75 pessoas, que atuam em instituições apoiadas pelo projeto, para a conferência.
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Projeto reúne comunidades tradicionais do Pampa em torno de práticas produtivas sustentáveis
As comunidades tradicionais do Pampa vêm lutando para manter suas identidades, territórios, modos de vida, campos e fauna nativos do bioma, num desafio que exige recursos financeiros. As famílias dos quilombos Ibicuí da Armada, em Santana do Livramento, Rincão da Chirca, em Rosário do Sul, e Pecuaristas Familiares Tradicionais do Pampa viram uma boa oportunidade na chamada 06/2025 realizada pelo GEF Terrestre e destinada a apoiar práticas produtivas sustentáveis em Unidades de Conservação e seus entornos nos biomas da Caatinga, Pampa e Pantanal. As comunidades elaboraram, juntamente com a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o projeto “APA do Yvyrapitã - Paisagens Socioprodutivas Conectando Ancestralidades no Pampa”, aprovado pelo edital, que apoia diretamente 60 famílias de comunidades tradicionais na Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã e no seu entorno. Inserida no componente 2 do GEF Terrestre, focado no manejo de Unidades de Conservação e áreas adjacentes, a chamada nasceu com o objetivo de promover ações de uso sustentável de recursos naturais, apoiando atividades econômicas praticadas por populações locais que respeitem a biodiversidade e os ecossistemas em que estão inseridas. Juliana Mazurana, coordenadora do projeto, explicou que o edital oferece apoio à implantação e ao fomento de práticas produtivas sustentáveis. “Na construção da proposta nós conseguimos incluir demandas específicas destas comunidades, como a compra de ferramentas, material para a reconstrução de cercas e manutenções essenciais. E agora, com cinco meses de projeto, já percebemos bons avanços nas ações do projeto”, diz. A participação destes grupos desde a construção da proposta até a sua execução também é um diferencial. A FLD realizou a contratação de duas assessoras de projeto, Mariglei Dias de Lima, do Kilombo Rincão da Chirca, e Maria Leci Vieira Vaqueiro, do Kilombo Ibicuí da Armada, além de uma assistente administrativa, Diennifer da Rosa Alves, moradora da região. Fernando Aristimunho, assessor de projetos da FLD e integrante do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, também tem acompanhado a equipe em todas as atividades. O primeiro ciclo de encontros aconteceu logo após a efetivação da parceria com o GEF Terrestre e contou com uma atuação articulada da equipe do projeto com o Programa de Educação Antirracista (PEAR) da FLD. Ainda na primeira quinzena de abril o grupo esteve nas comunidades apoiadas e incentivou conversas e debates sobre memórias, práticas tradicionais e desafios, além de revisitar o plano de ação do projeto e reafirmar o interesse das famílias. A compra e a entrega de materiais como a de máquina de costura e bordado, e ativos como de aves de postura, de ovelhas, de sementes e de mudas de árvores frutíferas e nativas também já foram realizadas. “Eu converso com as famílias da minha comunidade, a Mariglei com a comunidade dela, e juntas estamos conseguindo atender demandas muito importantes”, explica Maria Leci. Pecuaristas Familiares Tradicionais do Pampa Em parceria com o Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, a equipe do projeto também tem se empenhado em realizar visitas às prefeituras dos municípios em que atua, em especial em Santana do Livramento e Rosário do Sul, para dialogar e criar articulações institucionais. Por meio da parceria com o Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, a FLD e organizações parceiras, buscam o reconhecimento da Pecuária Familiar Tradicional do Pampa como comunidade tradicional. “Nos sustentamos na lei estadual nº 13.515, criada em 2010, pois ela é o que regulamenta estas comunidades no momento. Mas vivemos uma luta diária pelo reconhecimento da nossa identidade”, explica Fernando Aristimunho. “Costumo dizer que o meu pai faleceu com 72 anos e nunca conseguiu acesso a políticas agrícolas e agrárias para manutenção do seu modo de vida e da sua identidade”, lamenta. Essa ainda é a realidade das famílias destas populações tradicionais apoiadas diretamente pelo projeto. “Sempre buscamos fortalecer a identidade dessas famílias, e atuar pela garantia de seus direitos e pela conservação ambiental através de usos tradicionais da região”, diz Fernando. Presença em escolas Junto a este árduo processo de reconhecimento identitário, a equipe do projeto também vai realizar atividades em três escolas municipais sobre educação antirracista, importância da conservação ambiental e da APA do Ibirapuitã, e do apoio as comunidades tradicionais do Pampa. A primeira reunião em uma das três escolas foi realizada em maio e já trouxe bons frutos, com ações de capacitação planejadas junto com a direção da escola. Também há diálogos e articulações que só são possíveis porque as assessoras de projeto são integrantes das comunidades locais e lideranças no território, potencializando e ampliando as ações. “Conseguimos ir além do que estava em nosso escopo e começamos a desenhar a viabilidade da compra de alimentos da comunidade local para a alimentação escolar”, celebrou Juliana. Essa iniciativa, conhecida como Catrapovos, instituída pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR), visa fortalecer a economia da região e valorizar a sociobiodiversidade. “Estamos muito felizes por estar visualizando formas de implementar ações que há muitos anos queríamos, e não só as previstas pelo projeto, mas relativas a outras questões. Vários caminhos estão sendo abertos devido a este apoio”, avalia. Além da iniciativa implementada pela FLD foram selecionados outros sete projetos na chamada 06/2025. São elas: “Carnaúba Viva: Inovação, Agroecologia e Desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas”, da Associação Caatinga; “Nas Águas do Salobra: Estratégias de Turismo de Base Comunitária para o Desenvolvimento Socioambiental no Pantanal do Mato Grosso do Sul”, do Instituto de Pesquisas Ecológicas; “Sementes do Araripe: Fortalecendo Práticas Socioprodutivas Sustentáveis na Caatinga”, do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN); “Veredas Sustentáveis da Chapada”, do Instituto do Semiárido Baiano; “Monumento Vivo: Paisagens Produtivas e Turismo Sustentável para a Caatinga”, do Instituto Terraviva; “Sustenta – APA: Boas Práticas Pecuárias e Conservação da Biodiversidade na Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã”, da Associação para a Conservação das Aves do Brasil – Save Brasil; e “Fortalecimento das Boas Práticas Socioprodutivas e Sustentabilidade na APA Chapada do Araripe”, da Fundação Araripe.
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