Floresta Viva
Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras
FINACLIMA-SP
Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista
AMAZÔNIA VIVA
Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Pesquisas apoiadas pelo FUNBIO investigam como as mudanças climáticas ameaçam espécies, ecossistemas e modos de vida no Brasil
As mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção distante para se tornarem um fenômeno observado diariamente em diferentes regiões do país. Secas históricas, incêndios mais intensos, alterações no regime de chuvas e novas pressões sobre ecossistemas naturais têm mobilizado a comunidade científica em busca de respostas para um dos maiores desafios da atualidade. Na semana em que é celebrado o Dia Nacional da Ciência (8 de julho), destacamos três pesquisas apoiadas pelo programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro que investigam impactos ambientais em diferentes biomas brasileiros e ajudam a compreender como espécies, ecossistemas e comunidades podem responder às transformações em curso. Criado para apoiar pesquisas de campo voltadas à conservação da biodiversidade, o programa já apoiou mais de 200 pesquisadores em diferentes regiões do país. A iniciativa busca fortalecer a produção de conhecimento científico aplicado à conservação e à gestão ambiental, aproximando universidades, unidades de conservação, comunidades locais e tomadores de decisão. As inscrições para a nona edição do programa permanecem abertas até 30 de julho de 2026. Rosa Lemos de Sá, Secretária-geral do FUNBIO, diz que apoiar pesquisas como essas significa investir na formação de pesquisadores e na produção de conhecimento capaz de responder a questões concretas da conservação. “O programa Bolsas FUNBIO caminha para a primeira década de existência e nos dá enorme satisfação ver como o apoio a pesquisas de campo pode impulsionar a trajetória de jovens pesquisadores dedicados à conservação em todo o país. Gerar conhecimento e conexões, estimular o desenvolvimento de habilidades é, para nós, o maior legado da iniciativa, que tem como parceiro fundamental o Programa Fonseca de Liderança do GEF.” Na Amazônia, o pesquisador Daniel Olentino, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), investiga de que forma eventos hidrológicos extremos podem afetar uma atividade considerada referência mundial em uso sustentável dos recursos naturais: o manejo comunitário do pirarucu. A pesquisa será realizada em comunidades localizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, duas das mais importantes áreas protegidas da Amazônia brasileira. O objetivo é compreender se eventos extremos estão associados à redução da captura do pirarucu, à diminuição da renda gerada pela atividade e ao aumento dos custos operacionais do manejo. "Nos últimos anos, a Amazônia tem vivenciado secas cada vez mais severas, que afetam o modo de vida das comunidades, a logística da produção e o acesso aos recursos naturais. O que buscamos compreender é como essas mudanças podem estar impactando uma atividade que é fundamental para a conservação e para a geração de renda em áreas protegidas da região, bem como quais estratégias podem contribuir para enfrentar esses desafios", afirma Daniel Olentino. Além de avaliar indicadores econômicos e produtivos, o estudo irá documentar a percepção dos pescadores sobre os impactos das secas e as estratégias utilizadas para manter a atividade. Os resultados poderão contribuir para futuras ações de adaptação climática em territórios amazônicos. Entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, outra pesquisa busca compreender como dois fenômenos que tendem a se intensificar em um cenário de mudanças climáticas (a seca e o fogo) podem alterar ecossistemas de montanha considerados especialmente vulneráveis. Desenvolvido por Anna Luzia Souza Ehms de Abreu, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o estudo está sendo realizado nos campos de altitude do Parque Nacional do Itatiaia. Esses ambientes são conhecidos como sentinelas ambientais porque costumam responder de forma mais intensa às alterações climáticas, registrando rapidamente mudanças relacionadas à temperatura e ao regime de precipitações. Apesar dessa condição, ainda existem poucas pesquisas dedicadas a entender como esses ecossistemas podem reagir ao aumento da frequência de eventos extremos. A relevância da área vai além da biodiversidade. O parque abriga nascentes dos rios Aiuruoca, Campo Belo e Preto, importantes para a manutenção de serviços hidrológicos e para o abastecimento de água em partes dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os resultados poderão apoiar ações de conservação, restauração ecológica e planejamento da gestão do fogo em unidades de conservação de montanha, além de contribuir para compreender como a biodiversidade responde a cenários ambientais cada vez mais extremos. No ambiente marinho, a pesquisadora Ana Cristina Lazzari Chiovatto, doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), investiga uma ameaça menos evidente, mas crescente para os recifes de coral: a benzofenona-3 (BP-3), substância amplamente utilizada em protetores solares e outros produtos de uso cotidiano. Reconhecidos entre os ecossistemas mais biodiversos do planeta, os recifes de coral já enfrentam ameaças relacionadas ao aquecimento dos oceanos, acidificação marinha e eventos de branqueamento. A pesquisa busca entender como a exposição à BP-3 pode afetar estágios extremamente sensíveis do ciclo de vida de corais brasileiros. A pesquisa investigará alterações morfológicas, fisiológicas e comportamentais, além dos impactos sobre o assentamento larval, etapa fundamental para a formação de novas colônias e para a manutenção dos recifes. Os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de protocolos de monitoramento ambiental, ampliar o conhecimento sobre contaminantes emergentes em ambientes marinhos e subsidiar discussões sobre o uso de determinados compostos em áreas costeiras sensíveis. O edital completo está disponível aqui.
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Inauguração da Trilha da Comprida: cariocas ganham nova forma de mergulhar na história das Ilhas Cagarras
Neste domingo (28), o Rio de Janeiro inaugurou oficialmente a Trilha da Comprida, novo equipamento de uso público do Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras). Com até 1,2km de extensão, a novidade permite aos visitantes uma oportunidade de mergulhar na biodiversidade de um dos cartões-postais naturais mais emblemáticos da cidade. Além disso, a trilha marca a entrada definitiva do primeiro trecho oceânico da Trilha Transcarioca, que começa em Barra de Guaratiba e durante seus 180km de extensão, conecta os principais remanescentes naturais da cidade, chegando no Morro da Urca. Localizada a cerca de cinco quilômetros da Praia de Ipanema, a Ilha Comprida integra o arquipélago MONA Cagarras que totaliza cerca de 91 hectares protegidos. A inauguração da trilha representa mais um passo no amadurecimento da Unidade de Conservação federal que completou 16 anos em abril de 2026. “A gente protege o maior ninhal de fragatas do Oceano Atlântico e o segundo maior ninhal de atobá-marrom do Brasil”, conta Tatiana Ribeiro, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e gestora do MONA Cagarras. Com costões rochosos e remanescentes de Mata Atlântica, além das aves, as Cagarras são habitat de tartarugas marinhas, golfinhos, baleias-jubarte em passagem migratória e mais de duzentas espécies de peixes e cerca de uma dezena de animais ameaçados de extinção. “É uma área que vem sendo usada como referência geográfica por baleias e golfinhos, com destaque para baleia jubarte que está na temporada migratória (junho e agosto) e a gente tem visto muito por aqui”, relata Tatiana. Nos últimos anos, uma série de avanços estruturais e de gestão, incluindo a elaboração do Plano de Manejo, ampliaram pesquisas científicas e fortaleceram a fiscalização para proteção da biodiversidade local. Parte desse processo contou com apoio do Projeto Apoio a UCs no âmbito do TAC Frade. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), que contribuiu para a implementação de ações essenciais para a consolidação da unidade, incluindo melhorias de infraestrutura e iniciativas voltadas à aproximação entre a população e o patrimônio natural protegido. Segundo Tatiana o apoio aconteceu “em um momento crucial da UC, justamente no início da elaboração do plano de manejo” e garantiu, entre outras cosias, "a primeira embarcação, que está com a gente até hoje e equipamentos de mergulho”. Agora, a implantação da trilha com infraestrutura de sinalização e segurança coroa o trabalho que começou em 2021. Saiba como visitar a Trilha Comprida nas MONAS Cagarras A Trilha da Comprida será aberta a toda a população, mas exige preparo físico e atenção às condições de acesso. Como fazer a visita Procure um condutor credenciado pelo ICMBio Não há cobrança de ingresso nem necessidade de autorização prévia do ICMBio, mas a recomendação é que o passeio seja feito com condutores credenciados. A lista está disponível aqui: condutores credenciados pelo ICMBio. Consulte as orientações da Unidade de Conservação Quem optar por fazer a trilha de forma particular deve ler antes o Guia do Visitante do MONA Cagarras, disponível neste link: Guia do Visitante. Prepare-se para molhar os pés — e o corpo inteiro O desembarque na Ilha Comprida é “molhado”: o visitante sai da embarcação, nada cerca de 20 a 30 metros até o costão, com apoio de corda e colete, e depois sobe pela rocha. Por isso, é importante usar roupas adequadas e calçados seguros. Aprecie a vista Já na ilha, o percurso acontece principalmente sobre rocha exposta, com poucos trechos de vegetação e algumas áreas de maior declividade. Não é preciso fazer escalada, mas a trilha é considerada de dificuldade média. O que levar Roupa de banho; Sapatilha de costão ou tênis que possa molhar; Camisa de manga longa e calça legging ou tactel; Óculos escuros, chapéu e filtro solar; Garrafa de água individual; Toalha, roupa seca e calçado extra para a volta; Agasalho leve, especialmente para o retorno de barco. O que o visitante encontra na trilha Ao longo do percurso, placas interpretativas apresentam informações sobre a geologia, a fauna, a flora e a importância ecológica do arquipélago. A experiência navega entre contemplação, educação ambiental e turismo sustentável, aproximando os cariocas de um patrimônio natural que há décadas faz parte da paisagem vista das praias de Ipanema, Leblon e Copacabana. Ainda não há Turismo de Base Comunitária implantado na Trilha da Comprida, mas o ICMBio trabalha para desenvolver esse processo junto à Colônia Z-13, localizada no posto 6 em Copacabana. Restrições Embora não haja restrição legal, a visita não é recomendada para menores de 12 anos, pessoas com dificuldade de locomoção ou que não saibam nadar. A realização do projeto Apoio a UCs é uma medida compensatória estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta de responsabilidade da empresa PRIO, conduzido pelo Ministério Público Federal – MPF.
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Parceria entre BNDES e iNovaland, Conectando Paisagens seleciona 8 projetos para restaurar 388 hectares de Mata Atlântica
Texto: Agência BNDES Oito projetos de restauração ecológica e fortalecimento da cadeia produtiva na Mata Atlântica foram selecionados na segunda janela de submissão de propostas da chamada pública Conectando Paisagens, uma iniciativa de matchfunding entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a iNovaland. A ação integra o Floresta Viva, programa do BNDES que apoia projetos de restauração ecológica com espécies nativas. Os projetos contarão com apoio total de até R$ 8,2 milhões para restaurar 388 hectares de Mata Atlântica, visando à formação de corredores ecológicos entre a Bahia e do Norte do Espírito Santo. Entre os projetos em estágio 1, que prevê apoio a ações de restauração em pequena escala e ao fortalecimento de pequenas organizações locais, foram selecionadas as propostas do Instituto Muvuka, da Associação de Produtores Rurais da Comunidade Ribeirão (Aprucr), da Associação das Mulheres Agricultoras (Amag) e da Associação dos Produtores Rurais do Projeto de Assentamento Pau Brasil. Cada projeto poderá contar com apoio financeiro de até R$ 200 mil, com previsão de ações de plantio de restauração em, no mínimo, 5 hectares, com prazo de até 12 meses. Essa categoria, contempla projetos de menor porte, que não haviam ainda sido apoiados pelo Floresta Viva e esse apoio representa uma ação de preparação de entidades sem fins lucrativo fundamental para o avanço do setor de restauração. Para o estágio 2, que oferece apoio a ações de restauração em maior escala, gerando impactos mais significativos na região, as propostas selecionadas foram apresentadas pelas seguintes organizações: Grupo Ambiental Natureza Bela, Instituto Ciclo da Terra, Instituto Marinho para o Equilíbrio Socioambiental (Marés) e Cooperativa Mista de Trabalho: Prestação de Serviços e Produção (Canteiros). Esses projetos constituem ações de plantio de restauração em áreas que totalizem, no mínimo, 50 hectares, mais ações de fortalecimento de cadeias produtivas associadas à restauração, com duração mínima de 36 e máxima de 48 meses, observado o limite máximo do Programa Floresta Viva. “O BNDES vem trabalhando para fazer do Brasil o maior polo de restauração do planeta, com ações que contribuem para a neutralização das emissões, além de promover a bioeconomia e o manejo florestal sustentável”, ressaltou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “O Floresta Viva é uma das iniciativas do BNDES Florestas, uma frente de atuação do Banco que já mobilizou R$ 7 bilhões de investimentos em todo o país. Já estão sendo plantadas 280 milhões de árvores, que resultarão na geração de 70 mil empregos verdes e na captura de 54 milhões de toneladas de carbono”, acrescentou. A chamada pública incorpora a metodologia do Programa FASB, criada pela iNovaland Brasil para a incubação e aceleração de projetos. “Esta é uma metodologia introduzida no Floresta Viva através dos editais do Conectando Paisagens. O FASB há cinco anos que segue um ciclo de projeto multifásico, uma abordagem que reduz riscos, possibilita alta qualidade e garante a permanência a longo prazo”, disse Márcio Braga, diretor geral da iNovaland Brasil. Ele destacou as iniciativas de três instituições. “Comunidade Ribeirão, por ter enviado um projeto de estágio 2 na primeira janela e, mesmo não sendo contemplada, não desistiu e reenviou o projeto que foi contemplado na segunda janela. O Natureza Bela, por ser uma instituição regional de comprovada competência, teve dois projetos de estágio 2 aprovados, um em cada janela. Por último, a Marés, que teve um projeto de estágio 1 aprovado na primeira janela e um projeto de estágio 2 aprovado na segunda janela”. No primeiro edital, lançado em 2024, o Conectando Paisagens selecionou sete propostas, que foram contratadas entre março e abril do ano passado, no valor total de R$ 8,2 milhões. Deste montante, já foram desembolsados aos projetos cerca de R$ 2,3 milhões. Parcerias – A iniciativa Floresta Viva visa à formação de parcerias com instituições apoiadoras privadas ou públicas para investir em projetos de restauração ecológica com espécies nativas e/ou sistemas agroflorestais (SAFs) em biomas brasileiros, por meio de um parceiro gestor e de instituições executoras. A atual previsão total de aportes de recursos é de R$ 470 milhões. Os projetos de restauração ecológica nos diversos biomas do país são selecionados por meio de chamadas públicas, com editais lançados por um parceiro gestor e são avaliados por representantes do BNDES, de instituições apoiadora e convidados, como MMA e Secretarias de Meio Ambiente estaduais, com base em critérios técnicos ambientais e sociais previamente acordados. O parceiro gestor do Floresta Viva, também selecionado por meio de chamada pública, é o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). “Conectar financiadores a iniciativas de impacto ambiental é parte central da missão do FUNBIO. Estamos à frente da gestão financeira de mais esse edital, que selecionou oito projetos com potencial de fortalecer a restauração na Mata Atlântica na Bahia e no Espírito Santo”, disse Manoel Serrão, superintendente de programas do Funbio. Os recursos provenientes do BNDES Fundo Socioambiental correspondem a 50% do total destinado ao Floresta Viva. Além disso, mais de R$ 236 milhões envolvem doações já contratadas de 14 instituições apoiadoras e até €15 milhões do Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW), o banco de desenvolvimento alemão, em recursos não reembolsáveis aportados no Funbio após lançamento dos editais aprovados pelo KfW. Até o momento, foram lançados 15 editais do Floresta Viva, que somam R$ 331,1 milhões de apoio a projetos de restauração em diversos biomas e ecossistemas de todas as regiões brasileiras, totalizando 9,0 mil hectares a serem restaurados pelo conjunto dos projetos selecionados dentre os editais já concluídos. Saiba mais. Abordagem inovadora – O FASB é um programa de incubação e aceleração de projetos, desenvolvido e aplicado no sul baiano e norte do Espírito Santo pela iNovaland. Este programa segue um ciclo de projeto em várias etapas, fornecendo assistência técnica desde a origem até sua implementação completa, apoiando a evolução do projeto desde os estágios iniciais até sua conclusão. Essa abordagem reduz riscos, permite alta qualidade e acelera a expansão. As ações são baseadas na mobilização das comunidades locais e tem como objetivo construir ecossistemas resilientes tendo as pessoas como elemento central, impulsionando ações locais focadas no desenvolvimento sustentável como agroflorestas, produção de madeira e alimentos, bem como a proteção e restauração de áreas degradadas para conectar fragmentos da Mata Atlântica. Desta forma, o FASB constituiu-se como uma plataforma de multistakeholder, formada por seus desenvolvedores de projetos: comunidades indígenas, quilombos, assentamentos, agricultores familiares e ONGs regionais, acarretando a formação de uma rede que visa a troca de conhecimento, insumos e mão de obra.
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